Trecho do livro Culturas Populares & Patrimônio Imaterial, disponível nesse site.
“literatura de cordel, publicado em folheto (sistema poético
escrito para ser oralizado, com poemas narrativos, com muitos
gêneros, os mais longos denominados histórias e romance, da
literatura de cordel, como O pavão misterioso). Conforme o
poeta João José dos Santos, mais conhecido como Azulão, estes
poemas eram cantados nas cantorias. Foram substituı́dos,
depois, por gêneros poéticos narrativos, de curta extensão, em
substituição aos longos romances e histórias, que demoravam
um bom tempo para serem apresentados. Azulão contou que,
antes, o poema O pavão misterioso era manuscrito e,
decorado por seu autor, José Camelo de Melo Rezende, era
cantado por ele, nas cantorias, acompanhado por melodia e
ponteios feitos na viola por ele e seu companheiro, Romano
Elias. Só passou a ser impresso depois, para não se confundir
com a O pavão mysterioso, de João Melchı́ades Ferreira, que foi
acusado de plágio, com base em cópia recebida de Romano Elias.
Segundo Azulão, José Camelo não publicava o folheto e todos que
queriam ouvir este poema, o convidavam para cantar nas
cantorias. Nessas cantorias, Romano Elias era o cantador que
fazia dupla com ele. De tanto ouvir José Camelo cantar, Romano
decorou, se apropriou da história original, criou sua versão,
passou para João Melchı́ades Ferreira, que a publicou em folheto,
Este folheto, com autoria de João Melchı́ades, logo teve um
sucesso de venda. Isto causou grande desgosto a José Camelo,
que passados muitos anos, conseguiu restituir a autoria do
romance O pavão misterioso. Esta história sobre a autoria de O
pavão misterioso, Azulão me contou em uma entrevista, feita
em João Pessoa, em 2001, registrada em vı́deo, de que resultou
Azulão: a voz do folheto (2007) que até hoje conta com
pequena circulação, em algumas cópias em DVD.”

