Festa de São Benedito – casa de Seu Ageu (áudio – transcrição)

1977 fita 058 Festa de São Benedito na casa de Seu Ageu

Dona Inocência (blusa cor-de-rosa)

Na caderneta de campo, além de anotar algumas letras do batuque, enquanto os batuqueiros estavam ensinando a moda para os homens, fizemos a descrição quase total da dança.

São feitas duas filas. A dos homens está próxima dos tocadores de tambú, quinjengue e matraca e cantadores. Os homens aprendem  a moda e vão até as mulheres. (É a primeira viagem para se conhecerem). Depois as mulheres vão seguindo os homens até a fila deles para aprender a moda. Em seguida, os homens saem de novo em fila, acompanhando as mulheres e no local onde estão de novo em fila, dão umbigada nas mulheres e voltam para seus lugares.  A fila das mulheres se desloca até a dos homens  e ali dançam, dando umbigada. Assim segue a dança: os homens se deslocando até as mulheres e elas os acompanhando até a deles, fazendo assim várias viagens.

Na primeira vez que se deslocam vão todos. Depois parece ser à escolha. Por exemplo. Saem os pares: dois homens vem, Depois duas mulheres vão.

Maria Lúcia escreveu na caderneta:

A canção é  “cozinhada” entre os batuqueiros. Todos saem e vão “ensinar” as mulheres. Voltam, de costas, batendo os guiás e as mulheres vão junto. Não dão a embigada. Voltam de costa, e os homens seguem (alguns, apenas) e dão a umbigada. As mulheres escolhidas saem e escolhem seus pares na fila dos homens.

A anotação de alguns versos que auxiliaram a transcrição de áudio, que segue:

TRANSCRIÇÃO

Reza cantada (00:01 – 06:43)

 1 – (00:01 – 02:19)

Oi viva São Benedito (bis)

Oi viva oi viva São Benedito (bis)

Oi vamos cantar um viva

Oi viva oi viva São Benedito

Oi viva oi viva São Benedito (bis)

Oi viva São Benedito (bis)

2 – (02:19 – 03:29)

 Oi viva viva São Benedito (bis)

Vem socorrer meus irmão aflito (bis)

Oi viva oi viva São Benedito…

3 – (03:00 – 05:13)

Eu não sei rezar (bis)

O meu coração é só pra te adorar (bis)

Eu não sei rezar (bis)

Mãezinha do céu eu quero encontrar

Eu quero encontrar contigo lá no céu

Mãezinha do céu eu quero encontrar

Eu quero encontrar contigo lá no céu

Seu manto é azul seu véu é tão branco

É a Nossa Senhora que vem pra nós adorar

 […]

OBS.: Faltou transcrever um canto de procissão

Batuque (06:44 –

1 – (06:50 – 09:55)

u montava em burro brabo / até de cara pra trás (bis)

Ai meu tempo de criança

Agora  não volta mais

Ai  meu tempo de criança

Agora  não volta mais

Eu montava…

2 – (09:55 –  10:41)

Só instrumentos (confuso)

3 – (10:42 –  12:20) [10:42 –  13:18]

Ê Ageu nós rezamo todo dia

Pra você gozar saúde

Junto com  sua família

Nós viemo de São Paulo

Pra dançar em Barueri

Ê Ageu nós rezamo todo dia…

4 –  (13:41 – 15:10)

Ê Ageu Ageu Ageu

Sua estrela brilhou no céu

Na sua horta choveu

A sua promessa tá cumprida

Vamos dar graças a Deus                           

5 –  (15:11 –  17:00)

Papagaio controlando

Ninguém viu o que eu vi hoje

Lá na Cidade Jardim

Papagaio controlando

A companheira do chupim

O tico-tico ficou bravo

Ele foi falou assim

Que o mundo dá muita vorta

Você vai precisar de mim

OBS.: Em certo momento alguém diz “a batida corrida é melhor”

6 – (17:00 – 17:55)

São Benedito poderoso

Com seu afiado no braço

Proteção do mundo inteiro

Proteção dos nossos passo

Livra nós dos inimigo

Livra nós dos embaraços

7 – (18:00 – 20:10)

Muito confuso

8 – (20:17 – 22;00)

Um minuto de silêncio

Nosso amigo que morreu

Um minuto de silêncio

Nosso amigo que morreu

Nosso amigo João Marmanjo

Foi co’os anjos foi com Deus

Nosso amigo João Marmanjo

Foi co’os anjos foi com Deus

9 –  (22:08 – 23:21)

Aê aê

Ê maninho

Mas ninguém abre a minha porta

Mas ninguém fecha o meu caminho

Aê aê

Ê maninho

Todo o mundo me vê só

Mas eu nunca tô sozinho

10 – (23:22 – 24:27)

Ê Ageu ê Ageu

Todo mundo me consola

Pra eu não ficar sozinho

Todo mundo me consola

Pra eu não ficar sozinho

Ninguém abre a minha porta

Ninguém fecha o meu caminho

Ninguém abre a minha porta

Ninguém fecha o meu caminho

11 – (24:28 –

Que mulher  é aquela

Ô Maria mulata

Seu carinho me consola

Seu coração que me mata

[…]

12 – (26:40 – 27:00)

Difícil de  transcrever

13 – (27:16 – 27:35)

Eu nasci em Jumirim

Minha cidade natá

Fui registrado e batizado

Ô morena

Na cidade Laranjá

14 – (27:36 –

Até hoje não sei o que aconteceu

Até hoje não sei o que aconteceu

Mas o homem que é mandado por mulher

Não pode fazer o que quer

Não ???

Alguém diz: É corrido!

15 –  (31:00 –

Ê Gabriel ê Gabriel

Paixão se cura com a morte

[…]

Lado B

16 – (0:10 –

[…]

… preso na cadeia

Eu tenho a justiça divina

que é o meu advogado

Conversa com sambadoras no intervalo.

Explicam como fazem para juntar os  sambadores que moram em muitas cidades. Está muito difícil de transcrever. Não se denominam batuqueiros, mas sambadores e sambadoras.

Isto porque é um samba que se diferencia dos outros pela umbigada.

O lado B só tem 6 minutos gravados, com muita interferência.

OBS.:

Na caderneta, anotei a seguinte moda que não foi gravada:

Quando eu cheguei na ponte

Na entrada da cidade

Inocente eu pensava

Que tudo isso era verdade

Mais tudo isso não passava

De uma grande farsidade